O debate sobre a ocupação do espaço público, fomento ao turismo e o direito ao trabalho informal ordenado ganhou um novo e tenso capítulo na capital paranaense. Um grupo de fotógrafos independentes que atua nos principais cartões-postais da cidade está mobilizando as redes sociais e buscando canais de interlocução com a Prefeitura de Curitiba e a Câmara Municipal. O objetivo da categoria é conquistar a regulamentação profissional e a emissão de alvarás específicos de trabalho, após uma série de abordagens fiscais ocorridas em locais de grande fluxo de visitantes, como o Jardim Botânico.
O impasse do vácuo regulatório
A ausência de uma legislação municipal clara para a atividade de fotografia turística ao ar livre tem gerado frequentes conflitos operacionais. Atualmente, os profissionais operam em uma zona cinzenta: há uma demanda real e crescente por parte dos turistas que desejam registros profissionais de suas viagens, mas não há um mecanismo tributário ou administrativo para que os fotógrafos se inscrevam como prestadores de serviços regulares nesses espaços. Sem o alvará, as operações de fiscalização urbana cumprem as normas vigentes de desocupação de comércio ambulante não autorizado, resultando em abordagens tensas e eventual apreensão de equipamentos.
Os profissionais ressaltam que o foco da mobilização não é o confronto com os agentes de fiscalização — que atuam cumprindo determinações técnicas dos órgãos municipais, mas sim a cobrança por sensibilidade política do poder público. Em registros audiovisuais compartilhados nas plataformas digitais, trabalhadores expõem o constrangimento de serem abordados durante o exercício de suas funções em pleno expediente, argumentando que a atividade é o único sustento de dezenas de famílias curitibanas.
Turismo em alta exige soluções modernas
Curitiba consolidou-se como um dos principais hubs de turismo urbano do Brasil, atraindo milhares de visitantes semanalmente. A presença de fotógrafos profissionais em áreas verdes e monumentos históricos é uma prática comum em capitais turísticas globais, funcionando inclusive como um serviço agregado de hospitalidade e divulgação orgânica da própria cidade nas redes sociais. Para a categoria, a imposição de barreiras burocráticas em vez da criação de um cadastro municipal unificado caminha na contramão do incentivo à economia criativa local.
Os trabalhadores da imagem demandam a abertura imediata de uma mesa de negociações que envolva a Secretaria Municipal de Urbanismo e os vereadores da capital para a redação de um projeto de lei regulatório. A proposta do setor prevê o pagamento de taxas de ocupação e o estabelecimento de regras de conduta para garantir a harmonia com o fluxo de pedestres e a preservação do patrimônio público. Até que uma solução de consenso seja apresentada pelas autoridades em Curitiba, os fotógrafos prometem manter a campanha digital ativa para dar visibilidade às dificuldades da rotina de trabalho nos parques.
