O patrimônio histórico precisa ser integrado de forma estratégica aos planos de desenvolvimento econômico e urbano das cidades brasileiras. Esta foi a principal diretriz defendida pelo ex-ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, durante o Seminário Mercado e Patrimônios Históricos, realizado na capital paranaense. O encontro debateu como a preservação cultural pode deixar de ser vista como um passivo financeiro para se transformar em um motor de inovação, turismo e geração de emprego.
Curitiba debate incentivos e reocupação do Centro
A discussão ganha relevância em um momento estratégico para a capital paranaense, que conta com mais de 600 imóveis preservados e avança com o programa municipal Curitiba de Volta ao Centro. A iniciativa prevê investir até R$ 163 milhões em incentivos fiscais e construtivos voltados ao restauro e retrofit de prédios históricos até o ano de 2032. O projeto local já recebeu reconhecimento internacional pelo impacto positivo que promete gerar no ordenamento e na modernização do ecossistema urbano.
De acordo com a organização do evento, o principal objetivo do seminário foi aproximar a iniciativa pública do mercado imobiliário e do setor produtivo privado. A convergência entre esses setores é apontada como fundamental para superar os altos custos e a complexidade técnica que envolvem os processos de restauro. Quando os imóveis históricos ganham novas funções comerciais e culturais, eles resgatam a memória coletiva e valorizam economicamente todo o entorno urbano.
Regulação e viabilidade econômica em pauta
O evento reuniu 13 especialistas distribuídos em painéis que abordaram desde os marcos regulatórios e o planejamento urbano até os desafios práticos de ocupação qualificada. Entre as autoridades presentes estavam representantes do IPPUC, da Fundação Cultural de Curitiba, vereadores e especialistas em arquitetura e direito urbanístico. Os debates reforçaram a necessidade de modelos jurídicos e financeiros seguros que estimulem o empresariado a investir de forma contínua nos centros das cidades.
Ao final das atividades, o consenso entre os participantes foi de que o patrimônio histórico atua como uma infraestrutura urbana viva e de alto potencial de retorno. O seminário foi sediado na Casa Paraná Business | PUCPR, instalada no restaurado Palacete Ascânio Miró, que exemplifica na prática o reuso adaptativo privado. O LIDE Paraná, consolidado como o maior ecossistema de negócios do Estado, reforça seu papel de conectar setores estratégicos em prol do desenvolvimento econômico regional.
